Fazer o teste

Qual é o tipo de personalidade mais raro? Novos dados de 19.718 pessoas

Pela equipe do 64 Types · Atualizado em 22 de outubro de 2026 · 8 min de leitura · 5 fontes revisadas por pares

Não existe um único tipo de personalidade mais raro: a resposta depende do teste e de quem o fez. Nos números da editora do Myers-Briggs para os Estados Unidos, INFJ é o tipo MBTI mais raro, com cerca de 1,5% das pessoas, seguido de ENTJ (1,8%) e INTJ (2,1%);[1] na nossa própria análise das respostas de 19.718 pessoas a um teste dos Cinco Grandes, o mais raro dos 16 códigos de quatro letras é ENTJ (4,4%), praticamente empatado com ESTJ e INFP (4,5% cada).[2]

A seguir você encontra os números completos dos 16 códigos, o que os dados da editora mostram e o que não mostram, e por que algumas combinações acabam sendo mais raras que outras. Em resumo: “raro” reflete sobretudo o fato de que os traços de personalidade são correlacionados, então algumas combinações de letras vão contra a corrente. Não quer dizer que a pessoa seja especial ou melhor.

O tipo MBTI mais raro, segundo a editora

A Myers-Briggs Company, editora do MBTI, publicou dois conjuntos de números no site MBTIonline. Um artigo de 2017 sobre dados dos EUA reúne três fontes: cerca de 900.000 pessoas do Centro de Aplicações do Tipo Psicológico (CAPT) ao longo de 20 anos, uma amostra nacional representativa de cerca de 5.000 pessoas da própria editora e cerca de 1.000 pessoas do SRI. Ele aponta INFJ como o tipo menos comum, seguido de ENTJ e INTJ.[1] Um artigo de 2023 traz números mundiais (a única fonte citada em nota é uma pesquisa global da empresa de 2020), nos quais ISTJ é o tipo mais comum e ESTJ o tipo extrovertido mais comum.[3]

Frequências dos tipos MBTI publicadas pela Myers-Briggs Company (só os números que os dois artigos informam)[1][3]
Tipo MBTIEstados Unidos (artigo de 2017)Mundo (artigo de 2023)
INFJ1,5% (o mais raro)2,3%
ENTJ1,8%1,8% (extrovertido mais raro)
INTJ2,1%2,6%
ESTJnão informado9% (extrovertido mais comum)
ISTJnão informado15,9% (o mais comum)

Vale notar dois detalhes. Primeiro, os números mudam conforme a fonte: INFJ é 1,5% nos dados dos EUA, mas 2,3% na pesquisa global, em que a própria editora avisa aos INFJ que ainda não reivindiquem o título de “mais raros”, já que homens INFJ e mulheres INTJ são os grupos introvertidos menos comuns.[3] Segundo, eles variam muito conforme o gênero: nos dados dos EUA, ENTJ é 2,7% dos homens, mas 0,9% das mulheres, e INTJ é 3,3% dos homens, mas 0,8% das mulheres.[1] Nenhum dos dois artigos lista os 16 tipos, então não completamos o restante.

Repare também como a distribuição do MBTI é desigual. Com 16 tipos igualmente comuns, cada um teria 6,25%. Só o ISTJ, com 15,9% na pesquisa global,[3] tem cerca de duas vezes e meia esse valor, e o INFJ nos EUA tem mais ou menos um quarto dele.[1]

Nossa análise: quão comum é cada um dos 16 códigos

Para uma segunda resposta, totalmente reprodutível, pontuamos o conjunto de dados BIG5 do Open Psychometrics, que é público: respostas aos mesmos 50 itens IPIP dos Cinco Grandes, de domínio público,[4] que o 64 Types usa, dadas por 19.719 voluntários on-line por volta de 2012.[2] Descartamos um registro com respostas faltando, o que deixa N = 19.718. É a mesma amostra de onde vêm as nossas normas de percentis. Atribuímos a cada pessoa um código de quatro letras exatamente como o teste do 64 Types faz: E/I pela Extroversão, N/S pela Abertura, F/T pela Amabilidade e J/P pela Conscienciosidade, cada um dividido na mediana da amostra (o percentil 50).

Parcela de cada código-base do 64 Types, do mais raro ao mais comum. Análise do 64 Types com os dados BIG5 do Open Psychometrics (N = 19.718)[2]
CódigoNome no 64 TypesPessoasParcela
ENTJO Diretor8624,4%
ESTJO Organizador8894,5%
INFPO Idealista8934,5%
ISFPO Artesão9044,6%
ESFPO Entusiasta9644,9%
INFJO Visionário9704,9%
ENTPO Inventor9855,0%
ESTPO Operador1.0255,2%
ISFJO Cuidador1.0345,2%
INTJO Estrategista1.2356,3%
ESFJO Anfitrião1.3446,8%
ENFPA Faísca1.3656,9%
ISTJO Guardião1.4587,4%
INTPO Analista1.4627,4%
ENFJO Mentor2.14910,9%
ISTPO Artífice2.17911,1%

Os quatro códigos mais raros, ENTJ, ESTJ, INFP e ISFP, ficam entre 4,4% e 4,6%. Com uma amostra desse tamanho, cada parcela tem uma margem de erro de cerca de ±0,3 ponto percentual, então esses quatro estão, na prática, empatados. Os dois códigos mais comuns, ISTP (11,1%) e ENFJ (10,9%), são cada um cerca de duas vezes e meia mais frequentes que o mais raro.[2]

Somando a quinta letra, a estabilidade emocional (C = Sereno, R = Sensível), surgem 32 combinações, com uma média de cerca de 3,1% cada. As mais raras são ENTJ-R e INFP-C (1,5% cada), depois ESTJ-R (1,6%) e ISFP-C (1,7%); as mais comuns são ENFJ-C (7,9%) e ISTP-R (7,3%).[2]

Não publicamos uma distribuição dos 64 tipos. A sexta letra, Honestidade-Humildade (M/A), é medida com itens do IPIP-HEXACO[5] e normatizada com outro conjunto de dados, e ninguém na amostra BIG5 respondeu a essas perguntas, então não há dados sobre como a sexta letra se combina com as outras cinco. Qualquer número do “mais raro dos 64 tipos” teria de ser inventado, por isso não damos nenhum.

Por que algumas combinações são mais raras: traços correlacionados

Como cada letra divide o seu traço na mediana, cada letra isolada fica com mais ou menos metade da amostra: de 48,6% a 50,4% nas quatro letras-base aqui (não exatamente 50%, porque muita gente pontua bem na mediana e o empate precisa ir para um dos lados). Se os quatro traços não tivessem relação entre si, todos os códigos ficariam perto de 6,25%, entre cerca de 5,8% e 6,7% nesta amostra.[2] A variação real, de 4,4% a 11,1%, vem da forma como os traços andam juntos.

Nesta amostra, as cinco pontuações dos Cinco Grandes se correlacionam positivamente entre si. As correlações entre as pontuações dos traços são:[2]

  • Extroversão e Amabilidade: r = 0,33, o vínculo mais forte entre as quatro letras-base.
  • Extroversão e Estabilidade emocional: r = 0,26, e Conscienciosidade e Estabilidade emocional: r = 0,26.
  • Amabilidade e Conscienciosidade: r = 0,18; Extroversão e Abertura: r = 0,17.
  • As demais são pequenas: Abertura com Amabilidade 0,12, Extroversão com Conscienciosidade 0,11, Amabilidade com Estabilidade emocional 0,11, Abertura com Estabilidade emocional 0,10, Abertura com Conscienciosidade 0,09.

Como todos os vínculos são positivos, os dois códigos que concordam com todos eles, ENFJ (tudo alto) e ISTP (tudo baixo), são os mais comuns. Os quatro códigos mais raros vão todos contra o vínculo mais forte: ENTJ e ESTJ combinam Extroversão com Amabilidade mais baixa (E com T), e INFP e ISFP combinam Introversão com Amabilidade mais alta (I com F). A mesma lógica explica a quinta letra: a Estabilidade emocional anda junto com a Extroversão e a Conscienciosidade, então os extrovertidos e organizados ENTJ e ESTJ são mais raros com R, e os introvertidos e flexíveis INFP e ISFP são mais raros com C.

Por que os números do MBTI são tão mais desiguais? Os dois conjuntos de números não medem a mesma coisa. Quando McCrae e Costa compararam o MBTI com um inventário dos Cinco Grandes, as quatro escalas dele correspondiam fortemente à Extroversão e à Abertura e moderadamente à Amabilidade e à Conscienciosidade, e nenhuma captava o neuroticismo.[6] Nossas letras dividem cada traço na mediana de propósito; o MBTI usa perguntas e regras de pontuação próprias. Perguntas, regras e amostras diferentes geram frequências diferentes, então quem sai INFJ em um teste não necessariamente sai INFJ no outro.

Até que ponto confiar nesses números

  • Nossa amostra não é representativa. Os dados BIG5 vêm de voluntários que fizeram um teste on-line gratuito: 61% mulheres, idade mediana de 22 anos, de mais de 150 países e territórios, com 44% nos Estados Unidos.[2] Encare nossos percentuais como uma descrição desta amostra, não da população mundial.
  • Os números da editora dependem do país e da amostra. Os de 2017 são só dos EUA, como o próprio artigo ressalta,[1] e diferem dos números mundiais do artigo de 2023.[3]
  • A maioria das pessoas fica perto do meio. As pontuações nesses traços se acumulam em torno do centro em vez de se dividir em dois grupos separados,[7][6] então uma pequena mudança na pontuação pode mudar uma letra e o tipo de uma pessoa ao refazer o teste.[8] A raridade de um código depende em parte de onde as linhas são traçadas.
  • Tipo MBTI e código do 64 Types são medidas diferentes. As letras parecem iguais, mas só se correspondem em parte: fortemente em E/I e N/S, moderadamente em F/T e J/P.[6] Veja MBTI vs. Big Five.

O que isso significa para você

Um código raro não é sinal de uma mente rara, e um código comum não é sinal de uma mente comum. Nos nossos dados, a raridade decorre diretamente das correlações entre traços: uma pessoa extrovertida que também é objetiva e pouco complacente, ou uma introvertida que também é calorosa, é simplesmente uma combinação menos frequente de traços comuns. Cada traço isolado é compartilhado por mais ou menos metade das pessoas.

A raridade não diz nada sobre capacidade, sucesso ou compatibilidade. Uma letra só indica de que lado da mediana você está, e por isso o 64 Types mostra um percentil para cada traço ao lado do código. Se você está a menos de uns 10 pontos do percentil 50 em um traço, a sua letra é marcada como limítrofe e mostramos o código que você teria com a outra letra. Veja Como funciona o teste 64 Types.

Dica prática

Olhe seus percentis, não só suas letras. Duas pessoas com o mesmo código raro podem ser muito diferentes se uma está no percentil 51 e a outra no 95. Faça o teste grátis para ver o seu código e onde você fica em cada traço.

Perguntas frequentes

Qual é o tipo de personalidade mais raro?

Nos números dos EUA da editora do Myers-Briggs, INFJ é o tipo MBTI mais raro, com cerca de 1,5%.[1] Na nossa análise de 19.718 testes dos Cinco Grandes, o mais raro dos 16 códigos de quatro letras é ENTJ, com 4,4%, praticamente empatado com ESTJ, INFP e ISFP.[2]

Qual é o tipo de personalidade mais comum?

Os números mundiais da editora (artigo de 2023) apontam ISTJ como o tipo MBTI mais comum, com 15,9%.[3] Nos nossos dados, os códigos mais comuns são ISTP (11,1%) e ENFJ (10,9%).[2]

INFJ é mesmo o tipo mais raro?

Nos números dos EUA da editora, sim (1,5%).[1] Nos números mundiais dela, INFJ é 2,3% e ENTJ é 1,8%.[3] Nos nossos dados dos Cinco Grandes, INFJ é 4,9%, perto do meio da faixa.[2]

Qual é o mais raro dos 64 tipos?

Não temos como dizer. A sexta letra, Honestidade-Humildade, usa itens do IPIP-HEXACO[5] normatizados com outro conjunto de dados, então ninguém nos nossos dados tem as seis pontuações. Entre as 32 combinações de cinco letras, as mais raras são ENTJ-R e INFP-C, com 1,5% cada.[2]

Ter um tipo raro significa alguma coisa?

Não muito. Nos nossos dados, a raridade vem da forma como os traços se correlacionam, não de algo incomum nas pessoas.[2] Muita gente está perto do ponto de corte em pelo menos um traço, então o tipo pode mudar ao refazer o teste.[8]

Referências

  1. The Myers-Briggs Company (2017). What is the least common Myers-Briggs personality type? MBTIonline (article posted 7 August 2017). Retrieved 22 October 2026, from https://www.mbtionline.com/Articles/what-is-the-least-common-myers-briggs-personality-type
  2. Open Psychometrics (n.d.). Raw data from online personality tests: Big Five Personality Test, IPIP 50 items (BIG5.zip, 19,719 records, collected c. 2012). Retrieved 22 October 2026, from https://openpsychometrics.org/_rawdata/ (frequencies computed by 64 Types with scripts/type_frequency.py)
  3. The Myers-Briggs Company (2023). Are you one of the rare introverted personality types? MBTIonline (article posted 21 December 2023; its one footnote cites the company’s 2020 global survey). Retrieved 22 October 2026, from https://www.mbtionline.com/Articles/rare-personality-types
  4. Goldberg, L. R. (1992). The development of markers for the Big-Five factor structure. Psychological Assessment, 4(1), 26–42.
  5. Ashton, M. C., Lee, K., & Goldberg, L. R. (2007). The IPIP–HEXACO scales: An alternative, public-domain measure of the personality constructs in the HEXACO model. Personality and Individual Differences, 42(8), 1515–1526.
  6. McCrae, R. R., & Costa, P. T. (1989). Reinterpreting the Myers-Briggs Type Indicator from the perspective of the five-factor model of personality. Journal of Personality, 57(1), 17–40.
  7. Bess, T. L., & Harvey, R. J. (2002). Bimodal score distributions and the Myers-Briggs Type Indicator: Fact or artifact? Journal of Personality Assessment, 78(1), 176–186.
  8. Pittenger, D. J. (2005). Cautionary comments regarding the Myers-Briggs Type Indicator. Consulting Psychology Journal: Practice and Research, 57(3), 210–221.

Como escrevemos os guias: cada afirmação de pesquisa cita uma fonte revisada por pares, os tamanhos de efeito são informados como foram publicados e os conselhos que vão além das evidências aparecem como dica prática. Veja nossa metodologia. Encontrou um erro? Escreva para [email protected].

Guias relacionados